Ceder ou não ceder? Eis a questão.

No blog da loja de discos Flur, talvez a melhor e mais bonita de Lisboa, descobri esta passagem…

“Edit de uma entrevista de Roual Galloway a Glenn Underground. Mais uma personalidade em acção. Podem tomar-se as declarações à letra e ficar má onda ou pode pensar-se sobre o assunto.

“Se ganhar a lotaria ou fizer bom dinheiro vou abrir um clube a sério em Chicago. Nada de house pirosa, techno piroso, pessoas pirosas. Já tenho uma visão de que se alguém for ao club e pedir uma música devolvo-lhe o dinheiro e digo-lhe que este não é sítio para si.
Nenhum DJ está a educar as pessoas como faziam na altura. Toda a gente tinha um ou dois DJs que ia ver e dançavam sem preconceitos tudo o que ele passasse. Agora é tipo “pode passar isto?” Se o público se transforma em DJ e não está atrás dos pratos, esse é o momento em que começas a fazer cedências. Acabaste de eliminar o propósito da música de clube. O club é o sítio onde podes escapar para as Ilhas Virgens. Em Chicago, hoje em dia, os DJs têm medo de tocar o que querem e seguem demasiado as modas. Com o Ron Hardy não lhe podias dizer nada. Não podias dizer nada ao Lil’ Louis. Eles tocavam o que queriam tocar. Enquanto puto a crescer e a ouvi-los, eu respeitava o que eles me davam.”
(Glenn Underground responde a Roual Galloway para a revista Faith, Inverno 2008)”

isto para falarem do novo release de Glenn Underground:
GLENN UNDERGROUND Get On Up 12″ Trippin – 9.95 eur
oiçam aqui.

Nada mais acertado nestas frases, ao desencanto e um mar de banalidades que hoje encontramos na maioria das pistas de dança. “Medo de passar o que querem…” O djing tornou-se uma profissão e não uma paixão, como o foi durante décadas. Havia nos anos 70, 80 e nos 90 dj’s profissionais. E esses, mesmo trabalhando todos os dias, gostavam de encontrar coisas diferentes. Trazer temas novos, novos ritmos, recuperar alguns mais antigos, enfim, tocar discos das 22h até as 4.30 da manhã, numa terça ou quarta feira dava para experimentar uma selecção musical diferente. E o resultado dessa “pesquisa” poderia resultar numa noite calorosa de sexta ou sábado. Domingo, só havia matineés.
Hoje em dia, tudo isso mudou. Um dj convidado, desloca-se a um bar/club toca 1 ou 2 horas e não precisa de inventar muito. No dia seguinte, vai estar noutro bar. Nos dias que correm, existem menos dias da semana para tocar discos e muitos mais toca-discos, vulgo dj’s. Uns andam em busca da fama, miudas giras e alguns tostões. Outros contentam-se com o trabalhinho certo no bar/club ao fim-de-semana que além do gozo também dá mais uns trocos para juntar ao ordenado do mês, numa espécie de segundo emprego. Tudo isto subjugado a uma ditadura do gosto musical da maioria.

Já faltou mais, mas quero ver quando surgir aquele software, que mete a tocar, as músicas favoritas da maioria dos clientes. Esses que estão indentificados com um cartão/chip e onde já previamente estarão inseridos os dados musicais preferenciais de cada um deles, os clientes. Quero ver, quando surgirem essas jukebox’s. O que temos até agora são jukebox’s humanas.

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